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Sem dever nada para Hollywood,”Irmandade – Salve Geral” entrega suspense, violência e duas protagonistas poderosas

Sem dever nada para Hollywood,"Irmandade – Salve Geral" entrega suspense, violência e duas protagonistas poderosas

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Há uma cena, logo nos primeiros minutos de “Irmandade – Salve Geral”, que resume a ambição e a coragem do filme dirigido por Pedro Morelli. Durante quase dez minutos, a câmera flutua, corre, respira e sangra junto com as personagens. O nervosismo é instalado sem enrolação e em pouco tempo somos convidados a temer pelo que viria a seguir.

Se franquias como “Resgate”, “Operação Invasão” e “John Wick” conquistaram milhões de fãs com ação brutal e de poucos cortes, no Brasil ainda há poucos expoentes do estilo. Instalar um trabalho de parto em meio a um tiroteio, enquanto corpos vão ficando pelo chão, foi uma boa sacada do diretor Pedro Morelli para fisgar o público logo de cara. O plano-sequência dá o tom do que está por vir.

O primeiro spin-off de uma série brasileira original Netflix chegou à plataforma nesta quarta-feira (11) carregando não apenas a expectativa dos fãs de “Irmandade” (2019-2022), mas também um desafio logístico e artístico que poucas produções nacionais enfrentaram. Ambientado cerca de dez anos após os eventos da série, “Salve Geral” acompanha Cristina (Naruna Costa) em seu momento mais estável — e, por isso mesmo, mais vulnerável. Ela agora ganhou mais voz e é o rosto da facção fundada pelo irmão Edson (Seu Jorge), mas um golpe interno a derruba justamente quando sua sobrinha Elisa (Camilla Damião) é sequestrada por policiais corruptos. O “salve geral” que dá título ao filme é a resposta da Irmandade: uma onda de ataques contra delegacias e forças de segurança que mergulha São Paulo no caos — e que remete diretamente aos ataques reais de maio de 2006, liderados pelo PCC.

“Salve Geral-Irmandade”: sobrevivência e família nas mãos de Naruna Costa e Camilla Damião

A missão do filme é complicada: expandir o universo da série sem trair sua origem, ao mesmo tempo em que se sustenta sozinho, como uma obra autônoma e densa. Bom, para este que vos escreve, o objetivo foi muito bem cumprido.

Embora o contexto que mova parte das motivações dos personagens seja o crime organizado, o coração do filme está na família. E não na construção piegas do que é feito na franquia “Velozes e Furiosos”, mas em dramas reais, sob dilemas éticos e afetos quebrados.

Morelli dá pouco tempo de respiro, mas tudo é inteligível. O deslocamento físico das protagonistas acompanha sua maturação emocional diante do perigo de morte e perda.

Os comentários sobre a corrupção da polícia são sutis.O diretor prefere não ser expositivo em palavras,mas deixar os atos dos que entram em cena falar por si mesmos. E a cada telefonema, a cada tiro, a a cada ameaça , a sensação é de que o beco sem saída se aproxima para todos nós.

São Paulo é um personagem à parte. Um labirinto decadente onde todos parecem esperar a morte de alguma forma. A violência é uma barreira para uma vida digna, para consolidação de laços familiares. A morte é iminente e qualquer que seja o resultado, tudo será indigesto.

Como dito por Naruna e Camilla, em entrevista ao Pretessências, Cristina e Elisa, são símbolos da possibilidade de existência de mulheres negras em lugares de poder, afeto e liderança.

É bom ver que o diretor não fez questão de deixar o filme excessivamente higienizado. A violência no filme emula a realidade. Ela é suja, feia. Ela não oferece respiro.

O filme também se recusa a pintar com tintas simples seus heróis e vilões. Embora policiais corruptos sejam parte do motor da trama, algumas das motivações deles são explicadas de forma convincente, não os absolvendo, mas jogando luz aos mecanismos da corporação.

A experiente Marcélia Cartaxo encarna bem o resumo de quem lida com as contradições desse sistema. Mãe do policial Borges (David Santos) que sequestrou Elisa, ela transita entre a condenação dos atos do filho e a vontade intransigente de defendê-lo. Inclusive, é neste trecho final que reside grande parte das melhores cenas de tensão do longa.

A química entre as protagonistas se traduz nos olhares e silêncios. Há amor, mas também há desconexão entre as duas. Cristina e Elisa não são apenas tia e sobrinha: são duas mulheres negras que compartilham um vocabulário afetivo feito de olhares, pausas e gestos. O roteiro, econômico nos diálogos, confia na potência do não dito. E o resultado é uma química rara, construída não apenas pela direção sensível, mas por um trabalho de preparação que envolveu a atriz e preparadora Larissa Mauro, criando um espaço de escuta e conexão entre Naruna e Camilla. O que se vê na tela é fruto desse pacto silencioso.

“Irmandade – Salve Geral” não abandona o thriller e a violência, mas dá ferramentas emocionais para que haja desenvolvimento emocional das protagonistas. Vale conferir!

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Última atualização em: 14 de fevereiro de 2026 às 23:32

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