Rodrigo Branco gerou comoção das celebridades após se mostrar arrependido de ser um grande pau no koo racista com a médica Thelminha. É de uma estrutura social profunda e perversa só possível compreender em sua totalidade evocando o conceito de “pacto da branquitude”, cunhado pela psicóloga e ativista Cida Bento. Este conceito descreve um acordo tácito e silencioso entre pessoas brancas para a manutenção de seus privilégios e a exclusão sistemática da população negra, revelando como a sociedade brasileira, mesmo diante de um ato explícito de racismo, se mobiliza para proteger o agressor em detrimento da vítima.
O caso exemplifica o que Bento define como um “pacto não verbalizado” que visa assegurar a posição de poder e a hegemonia branca, condenando negros e negras à subalternidade . A demora de seis anos para um pedido de desculpas, que só ocorreu após uma condenação judicial, e a imediata solidariedade das celebridades a Rodrigo Branco, em vez de à médica Thelminha, demonstram a perpetuação desse acordo. A comoção em torno do agressor e o silêncio em relação à vítima são a materialização do pacto, que, como uma “cumplicidade silenciosa”, atua para absolver o racista e minimizar o sofrimento da pessoa negra, transformando um crime estrutural em um “deslize” passível de perdão midiático. Francamente, me embrulha o estômago. Racismo é crime, mas só na letra sem valor do judiciário branco.
A atitude dos famosos, ao se solidarizarem com o agressor, reforça esse mito ao tratar o racismo como uma falha individual e não como um sintoma de um sistema que historicamente privilegia a branquitude. Ao invés de romper com o pacto, eles o validam, demonstrando que a dor do homem branco e poderoso é mais digna de compaixão do que o trauma da mulher negra, perpetuando uma “humanidade seletiva”. Bastardos hipócritas!
A sentença: 70 mil reais. Piada sem graça. Para eles a justiça foi feita.
E não é sobre apoiar punitivismo penal, mas só funciona pra gente, né?
O “fogo nos racistas” precisa deixar de ser retórica.
