Entre os anos 80 e 90 o Brasil viveu o auge dos programas de auditório. Eu peguei os anos 90, onde todo canal tinha seu apresentador ou apresentadora cercada (o) de dezenas de garotas louras, ou havia mais louras apresentando programas infantis e ajudando a construir o imaginário de milhares de crianças.
Aos domingos, Silvio Santos, Gugu e Faustão dominavam os domingos. Entrando nos anos 2000 nada mudou, e a a medida que os medalhões envelhecem ou morrem, a televisão brasileira continua investindo no padrão que seja facilmente aceito pela branquitude.
Marcos Mion assumiu o Caldeirão,antes comandado por Luciano Huck e este foi para os domingos que era do indefectível Faustão, enquanto Leifert virou símbolo de uma cobertura esportiva “despojada” e depois foi comandar o Big brother, e hoje, tem lugar cativo nos streamings.
Aparentemente os maiores programas de TV não conseguem investir em um rosto novo que que não seja de pele clara. Embora profissionais negros estejam aparecendo em espaços importantes, a falta de passos mais largos em direção à diversidade faz parecer que a indústria do entretenimento ainda trata desse assunto como se pequenas migalhas fossem suficientes, e isso não é um comentário negativo sobre os pretos que chegaram lá, tampouco ao talento dos brancos que assumiram postos de destaque, mas sabemos que é questão de oportunidade e ela sempre é oferecida em larga escala a profissionais não negros.
Quando se fala em renovação, acaba sendo uma falácia, pois o que fazem é uma reciclagem de ideias, estética e ideais.
Sem se ver, o preto continua achando não ser capaz de chegar.
A gente não quer precisar implorar. Talento e qualificação a gente tem, mas o conservadorismo na TV alimenta o do público em um looping infindável.
Mudança tem que ser braçada e não de passo tímido. Claro, há um liberalismo intrínseco no discurso de representatividade na mídia, mas estamos no jogo, então vamos jogar. A economia tem que girar para todos.
Claro, esperar deles é ingenuidade, mas nossos pretos com poder econômico ainda não podem bancar os seus sem perder muito…acho.
