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Para sempre lembrar de Edson Montenegro, a voz e o rosto marcantes que nos deixou em 2021

Edson Montenegro,

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O período pandêmico levou muitos dos nossos grandes talentos. Uma das partidas sentidas foi do ator, dublador, cantor, musicista e garoto-propaganda Edson Montenegro, que morreu aos 63 anos no dia 20 de março de 2021 por consequência da doença.

Uma das grandes memórias que Edson deixou foi seu papel no filme ‘Cidade de Deus’, em que interpretou Dito, o pai do protagonista “Buscapé”.

De voz grave e marcante, se formou em Artes Cênicas na Escola de Arte Dramática da USP. Além de “Cidade de Deus”, ele esteve na minissérie e peça “Dona Flor e seus dois maridos”, nas novelas “Antonio Alves taxista”, do SBT, e “Xica da Silva”, da Manchete.

Como dublador, esteve marcou presença em obras como “Uma Família da Pesada” (Tom Tucker), “O Cavaleiros do Zodíaco” (Gordon de Minotauro), “O Estranho Mundo de Jack” (Bicho Papão) e “007 – O Amanhã Nunca Morre”, entre outros.

Nascido no Rio de Janeiro em 28 de outubro de 1957, Edson Montenegro demonstrou vocação musical ainda na infância. Aos sete anos, já encantava as visitas da família ao som de um acordeom. Ao lado das irmãs, formou um trio vocal sob a orientação da mãe, que na época atuava como corista na igreja local. Mais tarde, deu os primeiros passos no estudo formal da música no Instituto Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, onde teve aulas de percepção, teoria musical e canto coral.

Nos anos 1980, mudou-se para São Paulo e ingressou na Faculdade Alcântara Machado (FMU) para estudar canto lírico. Porém, foi justamente nesse período que percebeu que sua verdadeira identidade artística estava em outras sonoridades, mais próximas da MPB e da música popular.

Arquivo Pessoal

Sua trajetória fonográfica começou em 1982, com o lançamento do primeiro LP gospel, intitulado Edson Cruz. O sucessor, Essencial, veio em seguida. Em 1984, deu um salto importante ao vencer o concurso Novos Talentos do SBT, o que marcou o início de sua jornada artística nos palcos e na televisão.

O primeiro show em São Paulo aconteceu em 1990, no Espaço Off, com participação da pianista Silvia Góes, do baixista Arismar do Espírito Santo e direção artística de Jean Garfunkel. No ano seguinte, aprimorou sua formação cênica com a atriz Miriam Munis, em curso de interpretação.

Foi na MPB que Edson encontrou sua verdadeira paixão, consolidando-se como crooner de importantes grupos, como a Banda da Patroa (regida por Silvia Góes), o L. F. Combow (com o maestro Laércio de Freitas) e o Grupo Vocal Oito em Ponto (sob direção de Tasso Bangel).

Em 1991, destacou-se como solista da Banda Savana, do maestro Branco, no Novo Festival Record da MPB, interpretando “Ouve Amor”, de Caetano Zama. No mesmo ano, participou do Festival Carrefour de MPB com a canção “Sol e Lua”, de Rafael e Rita Alterio, sob direção de Zuza Homem de Melo. Em 1992, conquistou o prêmio de Melhor Intérprete no 1º Festival de MPB de Tatuí com “É só navegar”, novamente dos compositores Rafael e Rita Alterio.

Seu contato com a música sinfônica veio por meio do grupo vocal Tom da Terra, também regido por Tasso Bangel, com o qual se apresentou na Universidade Livre de Música. Foi nesse contexto que o maestro e idealizador da Jazz Sinfônica, Cyro Pereira, o convidou para participar de concertos no Memorial da América Latina entre 1991 e 1993.

Em 1993, estreou no teatro musical com o elenco de Hair, de Germone Ragni e James Rado, com direção de Jorge Fernando, interpretando o personagem Hud.

Entre 1999 e 2002, assumiu o comando do programa Zoom, na TV Cultura, um espaço dedicado a curtas-metragens, animações e entrevistas com cineastas.

Em 2002, lançou seu primeiro CD solo, Edson Montenegro, pela Lua Music, com arranjos de José Roberto Borrelli e produção de Thomaz Roth. O disco contou com participações de Wilson Simoninha e Eduardo Gudin, e o show de lançamento aconteceu no Sesc Pompeia em fevereiro daquele ano.

Em 2005, em homenagem ao centenário de Ari Barroso, uniu-se a Fabiana Cozza no espetáculo Aquarelas do Ari, no Sesc Ipiranga. O repertório trouxe grandes sucessos do compositor, intercalados com textos do artista. A direção musical foi de Luiz Roberto Oliveira e a direção artística de Sérgio Lima, com uma banda formada por músicos de peso como Fábio Torres, Marcos Teixeira, Arismar do Espírito Santo, Ubaldo Versolatto, Vitor Alcântara, Jorge Saavedra e Luiz Carlos de Paula.

Em 2006, participou da Sinfonia do Rio de Janeiro e, em 2008, do Grande Circo Místico, com reprise em Buenos Aires e no Festival de Campos do Jordão em 2013 — todas as apresentações sob regência de João Mauricio Galindo. Ainda em 2006, estreou no Brasil o musical Sweet Charity, dirigido por Charles Möeller e Cláudio Botelho, com Cláudia Raia no papel principal e Marcelo Médici como Oscar Lindquist. Edson interpretou o pastor Daddy.

Em novembro de 2008, integrou o espetáculo Cartola para todos, no Auditório do Ibirapuera, ao lado de artistas consagrados como Wanda Sá, Toninho Ferragutti, Thobias da Vai-Vai e Enok Virgulino, além de novos nomes da cena musical.

Em março de 2009, participou de Bichos do Mundo, espetáculo em comemoração aos 25 anos da Companhia Pia Fraus, no Sesc Avenida Paulista. A peça, concebida por Beto Andretta, reuniu treze canções originais que transitavam por ritmos como rock, reggae e MPB, com interação de bonecos, coreografias e projeções.

Em 2010, foi convidado especial no show Eduardo Gudin & Notícias Dum Brasil – 3 Tempos, ao lado de Mônica Salmaso, Renato Braz, Fabiana Cozza e outros. No ano seguinte, participou do lançamento do CD e DVD do mesmo projeto no Sesc Pompeia e também realizou um show no Itaú Cultural com a Banda Savana, que contava com 19 músicos sob a regência do maestro José Roberto Branco, revisitando arranjos de clássicos da bossa nova.

Ao longo de mais de quatro décadas, Edson Montenegro construiu uma carreira marcada pela versatilidade, transitando com naturalidade entre a MPB, o teatro musical, a música sinfônica e a televisão, sempre com a sensibilidade e a presença de palco de um intérprete completo.

SBT lamenta morte de Edson Montenegro, ex-Cúmplices de um Resgate

Um novo público descobriu o talento do ator por seu papel no sucesso “Cúmplices de um resgate” (SBT) e “Apocalipse” (Record).

No teatro, ele foi destaque no musical “Donna Summer”, em “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” e “Sweet Charity”.

Quando as cortinas da vida se fecharam, Edson Montenegro estava no auge, cheio de novos projetos e aproveitando o novo público que teve a honra de conhecer seu talento.

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Última atualização em: 17 de julho de 2026 às 10:21

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