De 3 a 15 de outubro, o CineSesc exibe a mostra Coleção Restaurados, reunindo 14 longas-metragens de diferentes épocas, nacionalidades e estilos. A programação oferece ao público a chance de revisitar obras-primas da história do cinema em cópias digitais cuidadosamente restauradas, proporcionando uma experiência de redescoberta na tela grande. Os ingressos estão disponíveis em sescsp.org.br/cinesesc e nas bilheterias do Sesc.
Um filme restaurado é mais do que um relançamento: trata-se de um trabalho minucioso de preservação que devolve ao público a fidelidade estética e sonora pensada pelos cineastas em seu lançamento. A restauração corrige desgastes do tempo, recupera cores originais, sons e enquadramentos, aproximando o espectador da experiência da época.
A programação da Coleção Restaurados atravessa mais de um século de cinema, oferecendo um panorama diverso que vai da vanguarda soviética dos anos 1920 às inquietações contemporâneas de Denis Villeneuve.
O cinema clássico de Hollywood é representado na mostra pelo drama policial Crepúsculo dos Deuses (1950, Billy Wilder), considerado um dos melhores filmes norte-americanos de todos os tempos. Na trama, um crime é investigado após um roteirista falido se envolver com uma decadente atriz do cinema mudo.

Da Europa, O Discreto Charme da Burguesia (1972, Luis Buñuel), oferece o habitual surrealismo corrosivo do diretor espanhol ao retratar a burguesia francesa em situações absurdas durante jantares que nunca acontecem. Já Minha Adorável Lavanderia (1985, Stephen Frears), retrata o inesperado relacionamento entre dois homens durante a escalada das tensões políticas no governo Thatcher, na Inglaterra.
Entre os grandes títulos asiáticos, o público poderá conferir Sonhos (1990, Akira Kurosawa), um mergulho poético em oito vinhetas que misturam folclore, espiritualidade e preocupação ambiental. De Taiwan, As Coisas Simples da Vida: Yi Yi (2000, Edward Yang apresenta) traz um retrato comovente das transformações silenciosas em uma família de classe média em Taipé.
Outro destaque é a exibição de O Encouraçado Potemkin (1925, Sergei Eisenstein), marco do cinema que ressignificou a montagem e permanece como uma das obras mais influentes da sétima arte. Já entre os filmes mais recentes, a mostra inclui Incêndios (2010, Denis Villeneuve), um drama arrebatador que explora segredos familiares entre o Canadá e o Oriente Médio.
O terror também integra a Coleção, que terá uma noite histórica no CineSesc: uma sessão dupla com dois clássicos absolutos do gênero. No dia 10 de outubro, às 20h, Psicose (1960, Alfred Hitchcock) retorna à tela grande com sua atmosfera de suspense que mudou para sempre a história do cinema. Logo em seguida, às 22h30, o público encara Poltergeist (1982, Tobe Hooper), em uma sessão de terror sobrenatural de arrepiar. Além disso, o horror corporal de A Mosca (1986, David Cronenberg), também integra o time de pesos pesados do gênero, com diferentes sessões na mostra.
O cinema brasileiro também marca presença na Coleção. Bye Bye Brasil (1980, Carlos Diegues) acompanha a Caravana Rolidei em uma viagem pelo interior do país, registrando as transformações sociais provocadas pela chegada da televisão. Outro clássico é Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976, Roberto Santos) adaptação do romance de Jorge Amado que, por 34 anos, foi recordista de público no cinema brasileiro, com mais de 10 milhões de espectadores.
A mostra apresenta ainda Onda Nova (1983, José Antonio Garcia e Ícaro Martins), um marco queer do cinema brasileiro, em que onze mulheres criam um time de futebol. Já em A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965, Roberto Santos), a literatura de Guimarães Rosa ganha vida em um drama que mistura violência, religiosidade e dilemas morais.
