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Bárbara Carine indica 5 filmes e 5 álbuns que marcaram sua vida

Bárbara Carine indica 5 filmes e 5 álbuns que marcaram sua vida

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Bárbara Carine é um nome que, nos últimos anos, tem se consolidado não apenas como uma referência no campo da educação brasileira, mas como uma voz crítica fundamental nos debates sobre raça, epistemologia e justiça cognitiva. Escritora, palestrante e professora, é graduada em Filosofia e em Química, possui mestrado e doutorado em Ensino de Química pela UFBA — e, mais do que isso, desafia a própria estrutura hierárquica do saber acadêmico ocidental, que tende a separar rigidamente as “ciências duras” das “humanidades”. Essa formação dupla não é um mero acaso biográfico; ela representa, do ponto de vista sociológico, uma intervenção deliberada na lógica da disciplinaridade, apontando para a necessidade de um ensino de ciências que seja, simultaneamente, rigoroso e racialmente consciente.

Talvez sua realização institucional mais significativa, no entanto, seja sua atuação como sócia-fundadora da Escola Afro-brasileira Maria Felipa, a primeira escola afro-brasileira do Brasil.

Recentemente, chegou às livrarias o mais novo lançamento de Bárbara Carine, publicado pela Editora Planeta. Intitulado “Raça social”, o livro surge em um momento particularmente delicado do debate racial brasileiro. Publicado pela mesma editora que já lançou seus títulos anteriores — Como ser um educador antirracista, Querido estudante negro, Educando crianças antirracistas e E eu, não sou intelectual? — este novo trabalho é apresentado como “o trabalho mais político de Bárbara”.

Pedimos para Bárbara indicar cinco livros e cinco filmes que marcaram sua vida e aqui está a lista comentada pela própria escritora.

5 filmes

Um príncipe em Nova York

Um filme que marcou toda a minha infância e juventude pela humanização de pessoas negras por meio de dilemas triviais da existência: uma história de amor, por exemplo. Era o único filme que vi por anos que negros não estavam subalternizados. Era um elenco todo negro, personagens felizes, ricos, bem vestidos, comendo bem, celebrando a vida, viajando o mundo… o grande dilema era sobre o amor. Era um sonho de existência pra mim.

Django Livre 

Um filme de faroeste sobre escravidão. É doloroso. Como toda história de escravidão. Contudo tem uma vingança deliciosa. Acho que toda pessoa negra sempre sonhou em ver os senhores de “escravos” sendo mortos, tomando chicotadas. Até assistir esse filme poucas coisas tinham sido mais satisfatórias na minha vida do que ter visto Django chicoteando o cruel capataz branco. Tem algo de Nego Bispo nisso: “eu vou falar de nós ganhando, por que pra falar de nos perdemos, eles já falam”.

Estrelas além do tempo 

Um filme sobre a potência de mulheres negras nas ciências. Mesmo em um contexto de segregação racial, mulheres negras revolucionaram as ciências desenvolvendo tecnologias que mudaram os rumos da história humana.

Pantera Negra

30 anos depois do filme “Um príncipe em Nova York” Pantera Negra é lançado e me traz a mesma sensação de poder e bem-estar. Pantera Negra trata de um herói negro africano que é o rei de Wakanda, um país também africano rico em fraternidade, intelectualidade, minérios e desenvolvimento científico-tecnológico. Ousaria dizer que Pantera negra produz um outro herói também, ou melhor um anti herói afrodiaspórico, movido pelo ódio que o ocidente desenvolveu em nós: o Erik Killmonger, que caiu amplamente no gosto popular negro mundial.

Wakanda é como seriam alguns impérios africanos antes da diáspora; e por que não falar antes do sequestro físico e epistêmico desses nossos ancestrais por parte do povo europeu.

Pecadores

Um filme de terror afrofuturista com protagonismo e roteiro negros. Gosto dos tons retintos do filme. Adoro que Fumaça, um dos personagens do Michael B. Jordan, ama uma linda mulher preta gorda e isso não é pauta no filme. Amo as falas fortes denunciando a segregação racial nos EUA, tipo: “Chicago é igualzinho ao Mississipi só que com prédios no lugar de plantações”. “Os brancos gostam muito de blues só não gostam de quem criou”. Fiquei encantada pela ideia da arte, mais precisamente da música, como portal entre os mundos. Gosto, principalmente, do revanchismo contra a Ku Klux Klan no final.

5 álbuns:

Thriller (Michael Jackson)

A estética de thriller foi a coisa mais incrível e marcante que assisti na minha infância.

The Bodyguard (Whitney Houston)

A voz inigualável de Whitney Houston, juntamente com a ideia de uma mulher negra interpretar a música mais ouvida do mundo marcou muito a minha juventude.

Campo de Batalha (Edson Gomes)

Álbum de crítica social do maior reggaeman brasileiro que me educou sobre capitalismo, racismo, violência policial, etc na juventude. Édson Gomes foi o meu primeiro professor de sociologia na favela.

Pluralidade (Banda Fantasmão)

O maior álbum de crítica social e racial da história do pagode baiano.

Raro 92 (Thiago Thomé)

Álbum autoral lindo e sensível do meu marido. Lançando na ocasião do nascimento do nosso filho Raro na Bahia. Raro 92 representa a soma das grandezas poéticas de Bahia e Rio de Janeiro por meio da matemática dos seus DDDs 71 + 21  = 92. É um álbum que canta o amor de um jeito único.

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Última atualização em: 16 de abril de 2026 às 16:22

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