As histórias das mulheres marisqueiras do Recôncavo Baiano, seus saberes ancestrais e a relação profunda com o manguezal inspiram o espetáculo poético-musicado “MARIAR – um Mar de Poesias”, que chega diretamente de Salvador (BA) para integrar a programação do Cena Preta em Movimento. Com apresentações nos dias 25 e 26 de julho, às 17h, no Teatro Negro Chica Xavier, e 1º e 2 de agosto, às 10h, no Teatro Carlos Werneck, no Aterro do Flamengo, a peça é uma encruzilhada de música, teatro, poesia e a força da ancestralidade negra traduzida numa história oral. A entrada é gratuita.
Idealizado e protagonizado pelas artistas baianas Emillie Lapa e Natalyne Santos, a montagem valoriza a identidade e deseja mostrar o manguezal e a oralidade como patrimônios vivos de resistência. “O espetáculo defende que a sabedoria e o trabalho tradicional dessas mulheres não são apenas formas de sobrevivência, mas sim fontes geradoras de arte, cultura, vida e sustentabilidade que precisam ser respeitadas, valorizadas e preservadas”, ressalta Emillie Lapa.
Natalyne Santos ainda destaca que “MARIAR – um Mar de Poesias” busca construir uma experiência capaz de sensibilizar o público: “Queremos despertar um sentimento de encantamento, empatia e reconexão com as próprias raízes. Que o espetáculo funcione como um espelho de afeto e respeito, provocando uma reflexão sensível sobre o meio ambiente e sobre o valor das vivências negras no nosso país.”

Em cena, as sonoridades da natureza dialogam com instrumentos afro-brasileiros, criando uma atmosfera que traduz em arte os sons orgânicos desse ecossistema. “As musicalidades foram criadas tentando mimetizar o barulho das cascas dos mariscos, o sopro do vento e o balanço das folhas, transformando esse cotidiano de trabalho duro e resistência em poesia cênica e musical. É um musical intimista, em que a música ao vivo e o teatro caminham juntos para conduzir toda a narrativa”, conta Emillie.
Embora a peça dialogue muito bem com o público infantil e infantojuvenil, MARIAR – um Mar de Poesias foi concebido para emocionar todas as idades. “Costumamos dizer que é um espetáculo feito para gente graúda e gente miúda. A linguagem é delicada, lúdica e poética, mas também toca profundamente os adultos”, afirma Emillie Lapa.
As canções que embalam o espetáculo são majoritariamente autorais, compostas especialmente para a montagem. Entre elas está “Morada de Barro”, inspirada em uma vivência artística no Quilombo da Muribeca, em São Francisco do Conde. Essa faixa foi vencedora pelo voto popular no 19º Festival de Música Educadora FM, em 2021.
SERVIÇO:
Teatro Negro Chica Xavier
Data: 25 e 26 de julho
Horário: 17h
Teatro Carlos Werneck (Aterro do Flamengo)
Data: 1º e 2 de agosto
Horário: 10h
Sessão com intérprete de Libras: 2 de agosto
Classificação indicativa: Livre
Entrada: Gratuita
