Nos dias 30 e 31 de maio, Fortaleza recebe a 3ª edição do Comunicação Antirracista, com o tema “Nordeste em Voz Alta” — uma afirmação da região como sujeito político, resistente, produtor de conhecimento e protagonista na disputa por narrativas no país.
Depois de passar por Brasília e Rio de Janeiro, a conversa chega ao Ceará para afirmar em alto tom que o Nordeste tem muito a dizer — não só sobre si mesmo, mas sobre o país inteiro. O evento tem patrocínio master da CAIXA e do Governo do Brasil, além do patrocínio do Banco do Nordeste. O Comunicação Antirracista será realizado no Centro Dragão do Mar com programação gratuita e acessível.
A aposta central da programação são os painéis. Cada um aborda um tema diferente, e todos convergem para o mesmo ponto: o combate ao racismo por meio da comunicação. Quem conduz são vozes nordestinas que pensam e fazem a luta antirracista de lugares diversos: do jornalismo, da academia, do território, da militância.

Painel 1 – Memória que Resiste (30/05, 17h) — Raquel Kariri e Bruno de Castro. A história que conhecemos não é a única que existe. O painel parte do jornalismo e da pesquisa para reconstruir as presenças negras e indígenas apagadas da história do Nordeste. Num país onde silenciar saberes é ferramenta de manutenção do racismo, lembrar é resistir — e contar a história por outro ângulo é também sobreviver.
Painel 2 – Quem pode narrar o Nordeste? (30/05, 18h30) — Vera Rodrigues e Rubens Rodrigues. Quem tem autoridade para falar sobre o Nordeste? O painel discute o papel da universidade e da mídia na construção dos discursos sobre a região, questionando quem detém o poder de narrar e como desmontar monopólios que há muito falam por nós sem nos consultar.
Painel 3 – Território, Palavra e Defesa da Vida (31/05, 14h) — Juliana Jenipapo e Aurila Quilombola. Não há comunicação antirracista de verdade sem defesa do território. Juliana Jenipapo, liderança indígena, e Aurila Quilombola trazem à roda a ligação entre palavra, terra e sobrevivência. Num tempo de violência crescente contra povos originários e comunidades tradicionais, o painel afirma: a comunicação comprometida começa onde a vida está ameaçada.
Painel 4 – Coletivo Caixa Preta: Transformação Institucional (31/05, 15h15) — Karina Dória (BA). Como mudar instituições por dentro? Karina apresenta caminhos concretos para levar práticas antirracistas para dentro das organizações. Um debate sobre como fazer a equidade sair do discurso e se tornar realidade.
Painel 5 – Vozes que contam o país: Jornalismo e Dignidade (31/05, 16h30) — Dediane Souza e Larissa Carvalho. Literatura, periferia e memória LGBTQIA+ se encontram para pensar uma comunicação que respeite cada história. Dediane e Larissa discutem como o jornalismo pode ser ferramenta de dignidade — e não de exclusão.
Completa a programação o Painel 6 – Diversidade na prática (31/05, 18h), com representantes da CAIXA e do Banco do Nordeste, sobre financiamento de iniciativas de equidade racial e desenvolvimento regional.
De Carla Akotirene a Caio Prado
No dia 30, a abertura é da pesquisadora Carla Akotirene (15h), autora de “O que é interseccionalidade?” e referência no pensamento antirracista. Ela abordará a interseccionalidade e a comunicação como caminhos para a transformação social.
No dia 31, às 19h, o encerramento é com Caio Prado (RJ), com canções como “Não Recomendado” e “Baobá” — que falam de ancestralidade, liberdade e resistência.
No sábado ainda tem pocket show de Roberta Kaya (CE), às 20h, e o pré-evento no dia 29 oferece oficinas no Hub Cultural Porto Dragão, com a vivência “Samba Corpo Vivo”.
SERVIÇO:
Data: 30 e 31 de maio de 2026.
Local: Teatro Dragão do Mar, Fortaleza/CE.
Gratuito: retirada de pulseiras 1h antes de cada programação na bilheteria do teatro.
Acessibilidade: Tradução em Libras em todos os painéis.
Transmissão dos painéis: YouTube (@ComunicacaoAntirracista).
