A concentração da seleção francesa na Copa do Mundo de 2026 foi marcada por um clima de tensão antes da Copa do Mundo. O estopim foi uma sessão de fotos oficial com os patrocinadores da Federação Francesa de Futebol (FFF) que acabou transformada em peça publicitária da casa de apostas Betclic — sem que os jogadores fossem avisados ou tivessem dado consentimento explícito para a associação à marca.
O caso gerou reação imediata do elenco, com o atacante Kylian Mbappé, do Real Madrid, à frente das reclamações. O craque, que já manifestou publicamente sua oposição ao mercado de apostas esportivas, considera o episódio um desrespeito a um acordo firmado em 2023, no qual os atletas deixaram clara sua restrição a vínculos com esse tipo de empresa. Ao lado de Mbappé, nomes como Désiré Doué, Michael Olise e Ousmane Dembélé também demonstraram incômodo com a utilização de suas imagens na campanha.
A FFF, por sua vez, defendeu a legalidade do uso das fotos com base em uma convenção coletiva de direitos de imagem assinada em setembro de 2023. O documento permite a exploração da imagem coletiva da equipe sempre que pelo menos cinco jogadores apareçam juntos nas imagens, condição que teria sido cumprida no material publicado.

No entanto, os atletas contestam não apenas a falta de transparência, mas também a violação do espírito do entendimento anterior, que previa uma barreira moral contra a associação a categorias comerciais consideradas sensíveis, como é o caso das apostas. Para os jogadores, a federação teria aprovado a campanha sem alinhamento prévio com o grupo, ferindo a confiança estabelecida.
O mal-estar com a diretoria da FFF, no entanto, não se restringe à publicidade. Nos bastidores, outras duas pautas vinham alimentando o descontentamento coletivo: a possibilidade de redução do bônus financeiro pela participação na Copa do Mundo e a reclamação sobre o número limitado de ingressos gratuitos disponibilizados para familiares dos atletas. Ambas as questões, porém, foram negociadas e resolvidas com a aceitação de uma contraproposta do elenco, liderada por Mbappé, que garantiu valores e cotas mais favoráveis aos jogadores.
Apesar do acúmulo de atritos, o grupo optou por não radicalizar o conflito às vésperas da estreia mundialista. A França joga neste momento contra o Senegal e a prioridade dos atletas foi preservar a harmonia dentro do vestiário para não comprometer a preparação para o torneio. A ideia, segundo fontes próximas ao elenco, é buscar uma explicação formal e, se possível, uma retratação da FFF após o fim da competição.
