Cinéfila inveterada, cantora, compositora, flautista e veterana dos Barbatuques, Helô Ribeiro evoca o papel de Gael Garcia Bernal no filme “Sonhando Acordado” (2006) em seu novo álbum de inéditas, “Céu de Gondry”. O protagonista do filme de Michel Gondry se confunde entre sonho e realidade, vivendo em um mundo muito particular, poético e inspirador, porém com uma certa dose de dor pelo choque e a dureza do mundo real. A multiartista paulistana construiu um álbum em que cada faixa tem sua identidade própria, mas todas envoltas pelo ambiente onírico contendo ternura, sonho, infância, memórias e também um pouco de melancolia.
“Céu de Gondry” é uma homenagem ao cineasta onde ela costura a ambientação tanto das canções quanto das imagens de seu novo trabalho em um universo de sensações difusas e memórias afetivas, entre o real e o imaginado. O disco de oito faixas, sendo sete delas autorais, é produzido por Allen Alencar em seu estúdio bucólico, Casa Embura, tem participações de Lucas Gonçalves (Maglore) e Felipe Antunes (Vitrola Sintética) e parcerias com o poeta arrudA, a cantautora Luz Marina, o escritor Marcelino Freire e o próprio Allen. O lançamento é feito pelo selo Pequeno Imprevisto e já está disponível em todas as plataformas de streaming.
“O filme Sonhando Acordado é um dos meus favoritos e tem uma direção de arte linda, paisagens de sonho feitas com cenários de papel celofane, cartolina, feltro, lã. Quando eu vi a foto feita por Marcos Vilas Boas e que acabou se tornando a capa do meu disco, me senti dentro de uma paisagem daquele filme. A foto mostra um céu de cores surreais e nuvens que parecem de algodão”, conta Helô. “Eu vejo esse álbum como uma mistura de sensações, impressões, sentimentos meio borrados e difusos. São momentos que ondulam. A ordem das músicas segue um fluxo orgânico, que começa com uma canção que fala de perda, algo que vivemos muito concretamente durante a pandemia, momento em que compus a maioria dessas canções, mas também reflete sobre o tempo, as estações, a vida seguindo seu curso de rio, em constante transformação, e as brisas que podem trazer novas paisagens”, define a artista.
“Um dos episódios mais marcantes do processo criativo foi a composição de Um Céu Inteiro, parceria com o poeta arrudA. Inicialmente escrita sobre um poema já musicado por Alzira E, a canção foi acolhida pela generosidade da própria Alzira, que me encorajou a lançar minha versão e me disse que estamos aqui em nome da arte e do amor. Isso me emocionou muito”, conta Helô.
A estética de Céu de Gondry marca um novo momento na trajetória de Helô Ribeiro. Conhecida por seu trabalho como integrante do Barbatuques, a artista se distancia da linguagem da música corporal – característica do grupo – e também da pegada rock’n’roll que marcou seu disco anterior “A Paisagem Zero” (Selo Sesc, 2021) quando musicou João Cabral de Melo Neto, para explorar agora uma sonoridade mais introspectiva, com guitarras, pianos, cordas e sopros que sustentam um repertório lírico e sutil.
