O System of a Down (maio do ano passado), o Linkin Park (novembro) e o Limp Bizkit (dezembro) fizeram shows antológicos em arenas brasileiras. Faltava apenas o Korn para fechar o quarteto das bandas que lideraram o movimento nu metal no começo dos anos 2000, gênero que manteve o rock mainstream relevante após a ressaca do grunge. E a banda liderada por Jonathan Davis esgotou os ingressos na noite de ontem (17) mostrando que o último grande movimento relevante do rock tem muita bala na agulha.
São Paulo estava com clima instável enquanto as bandas de abertura aqueciam o público. O trio mineiro Black Pantera, a banda Seven Hours After Violet (projeto do baixista Shavo Odadjian, do System of a Down), e a canadense Spiritbox fizeram shows competentes, aproveitando a oportunidade de mostrar seu som para as 50 mil pessoas que chegavam lentamente ao estádio devido ao suposto cuidado da revista policial do lado de fora.
O Korn subiu pontualmente ao palco do Nubank Parque (antigo Allianz Parque) às 21h30. Jonathan Davis (voz), James “Munky” Shaffer (guitarra), Brian “Head” Welch (guitarra) e Ray Luzier (bateria) e o baixista Reginald Roberto “Ra” Díaz (emprestado do Suicidal Tendencies após a saída de Reginald Arvizu em 2021) entregaram exatamente o prometido: um show de intensidade imparável, com poucas surpresas, mas extremamente satisfatório.

A banda escolheu começar a apresentação como um elástico que dispara em alta velocidade a futura pedrada. Assim que os primeiros acordes de “Blind” ecoaram, as rodas de pogo se abriram pelas pistas. A energia dos fãs, uma mistura de millennials, que cresceram com a banda no auge entre os anos 1990 e 2000, e da geração Z, mostrava que se dependesse do público, a noite já estava ganha.
“Twist” veio na sequência, curta, mas suficiente para fazer o estádio tremer com os pulos coordenados. “Here to Stay” e “Got The Life” mantiveram o fervor, e foi nessa última que os primeiros sinalizadores foram acesos. Pois é, a polícia, como sempre, não conseguiu controlar a multidão. Os marmanjos gritavam a plenos pulmões “God said me”, enquanto as rodas de pogo ganhavam corpo e intensidade a cada música.
A atmosfera já era de caldeirão quando, no meio da apresentação, uma garoa fina começou a cair. Nos primeiros dez minutos, foi até bem-vinda: aliviou o calor de uma noite fresca, mas abafada pela aglomeração. A chuva resolveu dar seu próprio espetáculo e apertou, com o público parecendo indeciso entre aceitar ou tentar se proteger. Mas não havia onde se refugiar e a primeira opção venceu para quem estava nas pistas. A clássica “Coming Undone” entrou para competir com o frio da chuva paulistana enquanto a galera entoava o refrão.
Três músicas depois, todos estavam encharcados . A chuva parecia determinada a sabotar a explosão de adrenalina que tomava conta da arena. Davis parecia satisfeito de ver que a multidão não se dissipava diante da chuva que engrossava. Tocar o trecho final de “One” do Metallica era um sinal que quem saísse com medo de se molhar ia perder uma noite para não esquecer.
Como esperado, Jonathan Davis e sua banda reservaram o melhor para o fim: “Falling Away from Me”, “ADIDAS” e, claro, o hino “Freak On Leash”. Coincidentemente, quando a cozinha “korniana” parou, a chuva se despediu, como se fosse só mais uma convidada VIP para o show dos californianos.
Nove anos de espera pela volta do Korn compensaram. Velhos e novos fãs receberam o carimbo visível do porque o nu metal ainda é capaz de encher estádios pelo mundo.



