O cantor Spark lançou à meia-noite desta terça-feira (14) o EP “Ciclos”, novo trabalho que aprofunda sua identidade artística e reafirma o compromisso com a música como parte de sua trajetória. Disponível em todas as plataformas digitais, o projeto reúne seis faixas que retratam diferentes momentos de um relacionamento, da dúvida à saudade. Natural de Feira de Santana (BA), Spark, também conhecido como Anderson Talisca, tem construído sua carreira musical transitando entre diferentes universos, mas mantém na música um espaço de expressão autoral e disciplina criativa.
Atualmente na Turquia, onde atua no futebol profissional, o artista mantém uma rotina constante de gravação, buscando consolidar um trabalho musical consistente dentro do R&B contemporâneo. “O EP foi desenvolvido no estúdio que mantenho em minha casa no país. Esse ambiente íntimo permitiu um processo mais reflexivo e pessoal, refletido nas letras e atmosferas sonoras do projeto”, explica. Sobre o conteúdo, afirma: “‘Ciclos’ fala muito sobre os momentos que todo mundo vive em um relacionamento. Sobre errar, voltar atrás, sentir desejo, sentir falta e tentar entender o que ainda existe ali. É um projeto muito sincero, que mostra uma fase mais madura minha como artista e como homem.”
O músico me contou que desde o começo buscou mais espontaneidade e naturalidade, seguindo o feeling. O artista diz que uma música nasce sem saber exatamente qual elemento será a prioridade. “Hoje, ouvindo o projeto, percebo que um dos aspectos que mais valorizei foi a espacialidade, essa sensação de ambientação e imersão. A gente gosta de trabalhar com essa atmosfera, mas também explorar contrastes, com faixas mais secas e diretas”, refletiu.

Embora o trap fosse uma escolha quase óbvia em questão de entrada no mercado, considerando a atual popularidade do gênero, Spark prefere não abrir mão de sua principal influência sonora. “Na verdade, eu já sou do R&B. O Spark começa no R&B, ele só lança um trap a partir de ‘Medusa’. Lancei dois singles e um álbum um pouco mais trap, mas mesmo assim misturado com R&B. A minha proposta foi realmente faze R&B”, conta.
Sobre a influência da percussão baiana em seu R&B, Spark comenta que nem se quisesse conseguiria fugir disso. Crescido sob a égide do samba e pagode, a percussão marca presença em seus trabalhos antigos e recentes e para o cantor, isso pode ser uma forma de se diferenciar de sua versão estadunidense. “No Brasil tem muita gente fazendo isso: Lucas Carlos, Ludmilla – que mistura samba com R&B de uma perfeição enorme. Eu enxergo o R&B no Brasil crescendo cada vez mais, embora ainda possa ganhar muito mais prestígio. É um gênero que exige melodia, exige uma mímica vocal muito clara e efetiva. A gente da cena do R&B tem tudo para crescer mais.”
Em tom de brincadeira, lembro a ele que outros jogadores de futebol também tentam carreira na música urbana, mas para Spark, a forma como isso se dá difere totalmente de como ele enxerga o projeto musical em sua vida. “No meu caso é totalmente diferente do Memphis ou do Gabigol. Eu faço música antes de jogar futebol. A música sempre chegou primeiro. Para eu ganhar bolsa na escola, em 2005, eu tive que fazer percussão. Depois comecei tocando numa banda de axé, e só depois fui jogar futebol. Futebol e música andam lado a lado desde sempre. Meu projeto é super sério, não é hobby, é um sonho. A música me trouxe mais disciplina, mais ambição. E sou muito respeitador: só faço show quando estou de férias. Nossa agenda é limitada. Quem viu, viu; quem não viu, vai ter que esperar oito meses. É tudo muito organizado.”
Por fim, ao falar de suas ambições para o futuro e a repercussão esperada de “Ciclos”, Spark sorri e parece satisfeito: “ Eu sou muito de momento, mas também estudo muito para preparar um conceito para meus fãs. Não gosto de lançar música de qualquer jeito. Gravo aquilo que me toca. Às vezes chego no vestiário do clube, coloco a música sem falar quem é, e quando vejo os caras se balançando, sei que o negócio está chegando. Minha expectativa é a maior possível”, conclui.
