O policial militar Fábio Anderson Pereira de Almeida, assassino do marceneiro Guilherme Dias Santos Ferreira, 26 anos, negro, havia sido reprovado em avaliação psicológica para a Polícia Científica do Paraná em 2023. Um alerta ignorado que culminou em mais uma morte violenta de um jovem preto. O crime ocorreu na última sexta-feira (4), quando Guilherme, saindo do trabalho, foi “confundido com um ladrão” ao correr para pegar seu ônibus.
O PM, que estava de folga, alegou ter reagido a um “assalto” na Estrada Ecoturística de Parelheiros, zona sul de São Paulo. A versão, porém, segue o roteiro conhecido: a criminalização de corpos negros em movimento. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 79% das vítimas de intervenção policial letal no Brasil são negras – e casos como o de Guilherme reforçam o padrão de violência racializada nas abordagens.
Dois anos antes do crime, Almeida foi reprovado em avaliações para a Polícia Científica do Paraná, falhando em critérios como controle de agressividade, capacidade de trabalho em equipe e equilíbrio emocional.
A banca afirmou que os resultados não significavam um diagnóstico psiquiátrico, mas indicavam inadequação para a função. Mesmo assim, ele continuou atuando na PM – instituição historicamente marcada por racismo institucional e falhas na fiscalização de agentes com perfil violento.
Almeida tentou reverter a reprovação na Justiça, mas o pedido foi negado. Enquanto isso, nenhuma medida preventiva foi tomada para restringir seu acesso a armas ou revisar sua aptidão policial. O caso escancara como o Estado naturaliza a presença de agentes com tendências violentas em instituições que já operam sob lógicas racistas.
A família de Guilherme exige respostas. Movimentos negros e de direitos humanos pressionam por:
Enquanto o racismo for tratado como “erro de percepção” e não como política institucional, corpos negros seguirão sendo alvo. O caso de Guilherme não é isolado: é mais um capítulo do genocídio negro no Brasil.
