Nesta semana, a administração do presidente americano Donald Trump pressionou os líderes de cinco nações africanas a aceitarem migrantes deportados dos Estados Unidos que não podem ser repatriados para seus países de origem, segundo duas fontes próximas às negociações que conversaram com a Reuters na quinta-feira (9).
O plano foi apresentado aos presidentes da Libéria, Senegal, Guiné-Bissau, Mauritânia e Gabão durante um encontro na Casa Branca na quarta-feira (8), revelou uma autoridade americana e uma fonte liberiana, ambas sob condição de anonimato. A Casa Branca e representantes oficiais dos cinco países não comentaram o assunto, e ainda não está claro se algum deles concordou com a proposta.
Desde que retomou a presidência em janeiro, Trump tem buscado acelerar as deportações, incluindo a transferência de migrantes para nações terceiras quando há obstáculos para repatriá-los a seus países de origem. No sábado (4), oito migrantes — originários de Cuba, Laos, México, Mianmar, Sudão e Vietnã, segundo seus advogados — chegaram a Juba, capital do Sudão do Sul, após perderem uma ação judicial para evitar a deportação.
De acordo com o Wall Street Journal, um documento interno do Departamento de Estado enviado a governos africanos antes da reunião pedia que aceitassem a “transferência digna, segura e oportuna” de cidadãos de outros países deportados pelos EUA. A proposta prevê que essas nações abriguem os migrantes temporariamente, sem enviá-los de volta a seus países de origem ou de residência habitual, até que seus pedidos de asilo nos Estados Unidos tenham uma decisão final.
A medida reflete a política de imigração restritiva de Trump, que tem enfrentado resistência de grupos de direitos humanos e desafios legais. Ainda não há confirmação sobre quais países, se algum, aceitarão o acordo.
