Em uma escalada de censura seletiva, o Instagram – plataforma controlada pela Meta – removeu permanentemente não apenas a conta principal do educador e ativista antirracista Thiago Torres, o “Chavoso da USP”, mas também seu perfil reserva, que possuía aproximadamente 300 mil seguidores. A nova remoção ocorreu após o educador denunciar a primeira exclusão em suas redes alternativas.
O caso evidencia o duplo padrão das políticas de moderação de conteúdo das Big Techs: enquanto discursos de ódio, negacionistas e extremistas de direita circulam livremente, vozes progressistas que combatem o racismo e defendem a educação popular são sistematicamente silenciadas.
Sob a vaga alegação de “violação das diretrizes comunitárias” – sem qualquer especificação ou transparência sobre qual termo teria sido violado – as plataformas digitais perpetuam um regime de censura seletiva que beneficia agendas conservadoras. A notificação recebida por Torres, como é padrão em casos de remoção de perfis progressistas, não detalhou qual conteúdo específico motivou a punição máxima.
Enquanto isso, figuras públicas de extrema-direita seguem utilizando a plataforma para espalhar desinformação, discursos de ódio e ataques a democracia, muitas vezes com a conivência explícita dos algoritmos que privilegam engajamento sobre ética.
A eliminação do perfil reserva do “Chavoso da USP” apenas horas após ele denunciar a primeira remoção caracteriza claro ato de intimidação. A estratégia segue um roteiro conhecido: primeiro atinge-se a conta principal, depois oblitera-se qualquer tentativa de resistência ou denúncia pública da censura.
Trata-se de um silenciamento em duas etapas que visa não apenas calar uma voz específica, mas enviar um recado claro a outros criadores de conteúdo periféricos e antirracistas: contestar o sistema pode custar seu direito à expressão digital.
Este caso explicita a urgência do debate sobre democratização das redes sociais e regulação das Big Techs. Enquanto conglomerados bilionários controlarem as praças públicas digitais, a “liberdade de expressão” continuará sendo um privilégio de quem não ameaça os interesses do capital e do status quo.
A perseguição a Thiago Torres não é um incidente isolado – é a manifestação de um projeto político que usa a tecnologia para preservar hierarquias de poder e suprimir vozes que ousam imaginar um mundo fora da lógica neoliberal.
