A Justiça Militar decidiu, na última terça-feira (5), absolver três policiais militares acusados de adulterar a cena do crime onde a modelo Kathlen Romeu foi morta em 2021, no Rio de Janeiro. Por maioria de 4 votos a 1, o sargento Rafael Chaves Oliveira e os cabos Rodrigo Correia Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano foram inocentados das acusações de falsificação de local de crime e falso testemunho. O colegiado, formado por um juiz e quatro oficiais superiores da PM, considerou insuficientes as provas apresentadas pelo Ministério Público Militar.
A decisão também beneficiou o capitão Jeanderson Corrêa Sodré, comandante da UPP do Lins, e o cabo Cláudio Silva Scanfela, igualmente absolvidos por falta de elementos concretos que sustentassem as acusações. A defesa dos policiais sustentou que as imputações eram vagas e baseadas em meras suposições, argumento acolhido pela corte militar.
No entanto, dois dos agentes – Frias e Salviano – ainda terão que responder a um júri popular pela morte da jovem de 24 anos, que estava grávida de quatro meses quando foi atingida por um tiro de fuzil durante a operação policial. O Tribunal de Justiça do Rio já havia determinado, em março deste ano, que o caso fosse a julgamento por homicídio doloso, embora a data ainda não tenha sido marcada.

O Ministério Público do Rio de Janeiro já anunciou que irá recorrer da decisão da Justiça Militar, considerando-a incompatível com as evidências do caso. A família de Kathlen, que há três anos clama por justiça, recebeu a notícia da absolvição com indignação, classificando-a como mais um episódio de impunidade em um caso que chocou o país.
“Recebemos essa decisão como mais um tiro de fuzil, com muita tristeza. Mas, para a gente, não é nenhuma surpresa. Sabemos que, historicamente, esse tribunal concede a impunidade, porque onde já se viu militar julgar militar, PM julgar PM”, afirmou à Ponte Jacklline Oliveira, mãe da jovem morta ao Ponte Jornalismo.
O crime ocorreu quando Kathlen visitava sua avó na comunidade do Lins de Vasconcelos e foi atingida no tórax durante a ação policial. Testemunhas afirmaram ter visto os policiais recolhendo cápsulas de munição do local, versão que não foi suficiente para convencer a Justiça Militar sobre a suposta manipulação da cena do crime. Enquanto aguardam o julgamento no tribunal popular, os dois PMs principais acusados pela morte seguem em liberdade, mantendo viva a polêmica sobre o caso.
