Morreu em Havana, na quinta-feira, aos 78 anos, a ativista política Assata Shakur – ex-integrante do Partido dos Panteras Negras e do Exército de Libertação Negra (BLA), refugiada política em Cuba desde a década de 1980. A causa da morte foi complicações de saúde associadas à idade, segundo anunciaram autoridades cubanas.
Nascida Joanne Chesimard, Shakur era condenada nos Estados Unidos pelo assassinato do policial estadual Werner Foerster, ocorrido em 2 de maio de 1973, durante um tiroteio na New Jersey Turnpike no qual ela também foi baleada duas vezes e seu companheiro de militância, Zayd Malik Shakur, acabou morto. Após ser sentenciada à prisão perpétua mais 33 anos, escapou do complexo penitenciário de Clinton, em Nova Jersey, em 1979, com ajuda de militantes, e posteriormente recebeu asilo em Cuba.

Sua fuga e exílio a mantiveram de forma permanente na Lista de Mais Procurados da Polícia de Nova Jersey, que por anos tentou, sem êxito, negociar sua extradição com o governo cubano.
Shakur sempre proclamou inocência, sustentando que seu julgamento – realizado com júri totalmente branco – foi uma farsa motivada por perseguição política. Em carta aberta lida no programa Democracy Now! em 1998, ela relatou ter sido alvo do programa COINTELPRO, iniciativa do FBI criada para “destruir o Movimento de Libertação Negra” nos EUA por meio de vigilância, difamação e neutralização de lideranças.
“Fui capturada com os dois braços para cima e baleada novamente pelas costas. Deixada no chão para morrer. Fui julgada num processo que só pode ser descrito como um linchamento legal”, declarou.
Sua autobiografia, Assata: An Autobiography (1987), tornou-se referência para movimentos antirracistas, onde defende: “É nosso dever lutar por nossa liberdade. É nosso dever vencer. Não temos nada a perder além de nossas correntes”.
A trajetória de Shakur permanece como um marco na história da resistência negra e um ponto de atrito nas relações EUA-Cuba, que durante décadas se recusou a devolvê-la às autoridades norte-americanas. Seu legado segue vivo entre ativistas que enxergam em sua fuga um ato de sobrevivência frente a um sistema judicial considerado racista e seletivo.
