A alegada pesquisadora sobre raça, Beatriz Bueno, conhecida recentemente pelo perfil Parditude, onde defende a mestiçagem brasileira sob a égide de um chamado “orgulho pardo”, usou uma foto de infância da atriz Camila Pitanga, junto com sua mãe, Vera Manhães, para levantar acusação de infidelidade dentro da família da artista.
Em busca intransigente por reconhecimento nas redes, Beatriz Bueno parece tentar a todo custo que Camila Pitanga se assuma como parda e renegue sua negritude. A empreitada acontece uma semana depois após episódio do podcast Mano a Mano, onde Camila rejeitou o rótulo de mulata dado por Mano Brown.
A dona do perfil “parditude” usou como fonte um perfil do Twitter chamado Cachoeiro (@cachobsb) que retocou uma foto antiga de Camila Pitanga com a mãe. “Camila Pitanga e sua mãe quando era bebê. Sim, ela nasceu loira e por isso suspeita-se que seu pai biológico seja um francês, ex-marido da mãe”.

Beatriz Bueno postou em seu perfil, mas depois apagou e explicou no stories que ainda precisava de mais confirmações. Para Beatriz Bueno, Camila Pitanga presta um desserviço se declarando negra e não é transparente sobre suas origens. Sim, a suposta pesquisadora quer que uma pessoa que ela nem conhece, reconheça uma suposta traição da mãe que só existe na cabeça dela e de seus seguidores. “Quando uma figura pública se coloca como referência e fala de raça, existe também a responsabilidade de ser transparente sobre suas origens. Achei, por muito tempo, que ela fosse parda por ter herdado alguma herança de avô ou avó, já que sua mãe tem traços mulatos”, escreveu.
Enquanto o debate racial precisa de estudo, profundidade e honestidade, ascende nas redes algo que não é novo, mas finge que é. É um discurso agressivo, rasteiro, muitas vezes eugenista e com absolutamente nenhuma base sólida.
A intenção da “menina da parditude” parece ser unicamente ficar conhecida e sanar algum ressentimento pessoal. Uma pena que esteja sendo abraçada da mesma forma que muitas ideias reacionárias são: sem crítica, só na base das convicções pouco fundamentadas.
