O homem que acionou a Polícia Militar e liderou a invasão à Escola Municipal de Educação Infantil Antônio Bento, na zona oeste da capital paulista, após sua filha participar de atividade pedagógica sobre orixás, é um soldado da 1ª Classe da Polícia Militar de São Paulo. A informação foi confirmada através de consulta ao Portal da Transparência do governo estadual.
O policial, cuja identidade foi preservada, não compareceu à reunião do Conselho de Escola marcada para resolver o conflito diplomaticamente, optando instead por acionar a corporação à qual pertence para intervir no ambiente educacional.
Segundo relatos de testemunhas, os quatro PMs armados – incluindo um portando metralhadora – permaneceram por mais de uma hora na instituição de ensino, onde fizeram acusações infundadas de que a escola estaria impondo “umbanda” à criança e desrespeitando a religião cristã da família.
A alegação ignora completamente o caráter cultural e educacional da atividade, que cumpria as diretrizes curriculares municipais sobre diversidade e história afro-brasileira, conforme estabelece a Lei 10.639/2003.
Intolerância religiosa institucionalizada
O caso revela a gravidade da intolerância religiosa dentro das instituições estatais, quando um policial usa sua posição para:
- Transformar disputa pedagógica em caso policial
- Mobilizar efetivo armado para ambiente escolar
- Criminalizar conteúdo educativo sobre cultura afro-brasileira
- Confundir deliberadamente educação antirracista com “proselitismo religioso”
A postura do soldado configura claro abuso de autoridade e violação dos princípios da administração pública, usando a estrutura policial para resolver conflito pessoal relacionado a suas crenças religiosas.
Falta de proporcionalidade e terror institucional
Enquanto escolas particulares de elite incluem há décadas o estudo de mitologias grega, romana e nórdica sem qualquer objeção, o simples conhecimento sobre orixás em escola pública desencadeia operação policial com metralhadora – evidenciando o racismo religioso que classifica tradições europeias como “cultura” e africanas como “doutrinação”.
A PM-SP e a Secretaria de Segurança Pública ainda não se pronunciaram sobre as medidas disciplinares que serão tomadas contra o policial envolvido, nem sobre o uso desproporcional da força em ambiente educacional.
