A campanha de arrecadação de fundos destinada a Agam Rinjani, o voluntário indonésio que atuou no resgate de Juliana Marins, foi cancelada na noite de ontem (29). A decisão veio após uma série de críticas relacionadas à taxa de 20% cobrada pela plataforma Voaa, responsável pela gestão da vaquinha.
O anúncio do cancelamento foi feito por meio de uma publicação conjunta no Instagram, assinada pela plataforma Voaa e pelo perfil Razões Para Acreditar, ambos organizadores da iniciativa. No comunicado, eles justificaram a interrupção devido a “ataques, ameaças, informações falsas e mensagens de ódio” que teriam recebido.
O valor total arrecadado, que somava R$ 522.305,53, será integralmente devolvido aos doadores. Os organizadores informaram que o reembolso ocorrerá de forma automática, através dos meios de pagamento originais, e está previsto para esta segunda-feira (30 de junho de 2025), sem a necessidade de qualquer ação por parte dos contribuintes.
A controvérsia surgiu com a divulgação da taxa de 20% sobre o montante arrecadado. Caso a campanha tivesse prosseguido com essa porcentagem, os responsáveis pela vaquinha ficariam com R$ 104.461,11 do total das doações, destinadas à compra de novos equipamentos de resgate para o indonésio.
Inicialmente, a arrecadação ocorria de forma direta, com transferências internacionais. Agam Rinjani, que a princípio havia pedido apenas orações, posteriormente aceitou a ajuda financeira, e as doações foram então concentradas exclusivamente na plataforma Voaa.
No comunicado de cancelamento, a Voaa reconheceu que a comunicação sobre a taxa “poderia ser mais clara”, mas reiterou que a cobrança de 20% já estava exposta no site oficial da campanha desde o seu lançamento.
“Reconhecemos com humildade que, neste momento, a discussão em torno da ‘Vaquinha do Agam’ desviou a atenção da essência da campanha e, principalmente, da história que desejávamos apoiar”, diz trecho da nota.
A plataforma e a página Razões Para Acreditar também reforçaram a justificativa para a taxa cobrada. Segundo eles, o valor não se destina apenas à manutenção do site e dos funcionários. “Diferente de outras soluções do mercado, assumimos integralmente a curadoria, verificação, produção de conteúdo, comunicação estratégica, gestão jurídica e financeira, além do acompanhamento completo até o desfecho de cada campanha”, detalha o comunicado.
Finalizando a nota, os organizadores pediram desculpas: “Nosso objetivo jamais foi outro senão ajudar, por isso a Voaa e o Razões para Acreditar continuarão resguardando sua moral, ética e credibilidade, princípios que sempre nortearam nossa trajetória. Permaneceremos firmes em nosso propósito, realizando com seriedade um trabalho que há anos transforma milhares de vidas, conectando pessoas e gerando impacto positivo. Pedimos sinceras desculpas a todos que possam ter se sentido desconfortáveis, enganados ou desrespeitados.”
