Três adolescentes negras, com idades entre 12 e 15 anos, foram submetidas a uma revista íntima ilegal nas dependências do JK Shopping em Taguatinga, no Distrito Federal. O episódio, registrado como constrangimento ilegal na 17ª Delegacia de Polícia, ocorreu após a gerente da loja Império das Maquiagens alegar ter notado “comportamento estranho” pelas câmeras de segurança.
De acordo com a denúncia, as jovens foram interceptadas pela gerente e por seguranças do shopping, sendo então conduzidas para um corredor de emergência – área restrita longe dos olhos do público. Lá, foram obrigadas a levantar as próprias blusas para “verificar se havia produtos escondidos na cintura ou sob as roupas”. Nenhum item furtado foi encontrado.
As adolescentes foram escoltadas por dois seguranças (um homem e uma mulher) até a área reservada, onde ocorreu a revista íntima improvisada. A prática, além de ilegal, viola diversos direitos fundamentais e protocolos de segurança estabelecidos para situações de suspeita de furto em estabelecimentos comerciais.
O JK Shopping confirmou em nota o ocorrido: “Assim que o caso foi comunicado, a segurança do shopping foi acionada pela própria operação e acompanhou toda a situação de forma preventiva, garantindo a integridade de todos os envolvidos”. No entanto, a administração não detalhou por que seus seguranças permitiram ou participaram do constrangimento ilegal.
O caso expõe mais uma facção do racismo estrutural presente no cotidiano brasileiro, onde jovens negras são sistematicamente criminalizadas e submetidas a humilhações baseadas em estereótipos. A exigência de que meninas expusessem seus corpos em uma “revista” sem qualquer base legal ou procedimental adequado caracteriza violação múltipla de direitos.
Tentamos contato com o proprietário da Império das Maquiagens, Victor Albuquerque, mas não obtivemos resposta até a publicação.
