“A única coisa que eu quero é a justiça, porque não é a escolha da nossa religião, que define o nosso caráter”. O desabafo é da umbandista Miryan de Oliveira Silva, 34 anos, vítima de um ataque a facadas por dois vizinhos na última quinta-feira (13) em Mogi Mirim, no interior paulista. O crime, investigado como tentativa de homicídio qualificado por intolerância religiosa, culminou uma sequência de agressões que incluíam ameaças com bilhetes sujos de sangue, pichações e até fezes jogadas em sua residência.
De acordo com o relato da vítima à polícia, Miryan ouviu barulhos nos fundos de seu imóvel no bairro Aterrado e, ao abrir a porta, foi surpreendida pelo casal de vizinhos Marcelo Aparecido Ramalho, 54, e Leide Cristiane da Silva Borges, 39. Armados com o que descreveu como “uma adaga”, os agressores a atingiram com golpes no braço direito e tórax.
A tia da vítima, Chayene Cavalcante, detalhou ao g1 a campanha de ódio que antecedeu o ataque físico. “Primeiro foi com um papel com sangue, ou supostamente sangue, ameaçando ela, dizendo que era para ela sair dali, porque ninguém aceitava o tipo de religião dela”, relatou.

A perseguição se intensificou com pichações no muro contendo frases como “fora macumbeira” e “vai para o inferno”, além de fezes jogadas no quintal da residência. Vizinhos confirmaram à família que os agressores distribuíram panfletos alertando sobre “uma macumbeira” na rua.
Apensar de ferida, Miryan conseguiu fugir para a frente da casa, onde gritou por ajuda. Vizinhos acionaram a Polícia Militar e o SAMU, que a resgataram com um corte profundo no braço e uma perfuração no tórax. Ela foi internada na Santa Casa de Mogi Mirim e passa por tratamento.
O casal foi preso em flagrante pela PM, que encontrou a arma do crime e roupas com sangue escondidas sob a cama dos suspeitos. A delegada Emília de Oliveira Araújo, responsável pelo caso, afirmou que irá caracterizar o crime como tentativa de homicídio com agravante de intolerância religiosa.
