Na última sexta-feira (25/07), foi comemorado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e também o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A data foi estabelecida para reconhecer a luta e a resistência das mulheres negras contra diferentes tipos de opressão e também promover a conscientização sobre a importância da participação delas na sociedade. Para celebrar essa data tão importante, convidamos cinco mulheres negras de diferentes setores, como Saúde, Publicidade, Literatura e Negócios, para compartilhar as suas experiências e quem são as suas referências na carreira e na vida. Confira!

CEO da MugShot, Punks S/A e da CASABLACK, a empresária destaca a importância da luta de Tereza de Benguela, liderança histórica que ousou desafiar o sistema escravista e pensar um futuro onde pessoas negras fossem livres, autônomas e donas de suas trajetórias. “A luta das mulheres negras não tem fronteiras: conecta o Brasil às Américas e ao Caribe, une quilombos, favelas, campos, cozinhas, terreiros e universidades. Somos muitas, somos plurais, e seguimos abrindo caminhos para todas que virão”.
*Indicação: Filme “Um Reino Unido”, dirigido pela cineasta Amma Asante.

Fundadora da empresa de negócios criativos Connecting Brains, Dani tem uma vasta experiência na área de Marketing e Publicidade e destaca a importância da resiliência para que mulheres pretas se mantenham no mercado corporativo. Suas inspirações são a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie e a escritora, artista e psicóloga portuguesa Grada Kilomba. “Ambas têm um papel crucial na construção do feminismo negro, assim como no entendimento do feminismo atual, nos ajudando a entender as nossas dores, como mulheres negras, e saber como lidar com isso”.
- Indicações: Filme “Estrelas Além do Tempo”, inspirado na obra da autora autora margot lee shetterly; e o livro “Cartas a um homem negro que amei”, de Fabiane Albuquerque.

Médica especialista em dor e cuidados paliativos pela PUC Minas e professora do curso de Extensão em Saúde da População Negra na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a Dra. Ionata Smikadi afirma que sua atuação como médica tem o papel de transformar a medicina em um lugar de escuta, reparação e justiça social. “Ser uma mulher negra na medicina é mais do que exercer uma profissão, é ocupar um território de disputa, memória e construção coletiva. Neste 25 de julho, celebro não só a minha trajetória, mas a de tantas mulheres que caminham comigo, abriram caminhos antes de mim e seguem me ensinando a cada passo”, comemora.
- Indicação de leitura: “Poemas da recordaç̧ão e outros movimentos”, de Conceição Evaristo.

Para a jornalista, pesquisadora e diretora do portal Jornalistas Pretos, ser uma mulher negra na comunicação é um ato político e um exercício diário de reinvenção. “Escolhi o jornalismo porque sempre amei escrever, mas logo percebi que minha escrita podia ser instrumento de transformação. Não sigo padrões ortodoxos — trabalho com inovação, escuto os territórios e me alimento de diferentes perspectivas para construir soluções enraizadas nas redes e nas vivências reais”.
- Indicação de leitura: livro “Discursos de ódio contra negros nas redes sociais”, de Luciana Barreto, que foi finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2024.

Poeta, escritora e produtora cultural, Elisa é ganhadora de diversos prêmios de literatura e idealizadora do Diversa Festival de Poesia de Paraty. Ela reforça a importância de mulheres como Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz e Carolina Maria de Jesus para abrir caminhos e transformar a literatura em instrumento de denúncia, resgate de memória e ancestralidade. “A Cultura é um lugar de ocupar espaços que historicamente nos foi negado, onde nós, como mulheres negras, podemos ser protagonistas das nossas próprias narrativas e projetos. Ocupar a cultura é um território de liberdade”, comemora.
- Indicação de leitura: livro “Água de barrela”, de Eliana Alves Cruz.
