A Netflix divulgou na última quarta-feira (20) o primeiro trailer de “Michael Jackson: The Verdict” , nova série documental que promete reexaminar um dos julgamentos mais comentados da história do entretenimento. A produção, composta por três episódios de 50 minutos cada, estreia globalmente em 3 de junho de 2026 .
A obra revisita o tribunal de 2005, no qual Michael Jackson foi acusado de 10 crimes, incluindo abuso sexual de um menor de 14 anos, administração de substância intoxicante (álcool) a um menor e conspiração para sequestro e cárcere privado . Após um julgamento que durou quatro meses na cidade de Santa Maria, Califórnia, o cantor foi absolvido de todas as acusações em 13 de junho de 2005 .
Dirigido por Nick Green (conhecido por A Vida em Cores com David Attenborough), o documentário promete acesso inédito a pessoas que estiveram diretamente envolvidas no caso. A produção contará com depoimentos de jurados, membros da imprensa, advogados de acusação e defesa, além de testemunhas .
“Já se passaram 20 anos desde o julgamento de Michael Jackson, no qual ele foi considerado inocente. Mesmo assim, a controvérsia continua até hoje”, afirmaram os cineastas em comunicado .
O diferencial do documentário está na ausência de imagens originais do tribunal — câmeras não eram permitidas no local, e havia uma ordem de silêncio imposta sobre as partes envolvidas. “Não eram permitidas câmeras no tribunal, e, portanto, a visão do público sobre os fatos na época foi filtrada por comentaristas e apresentada de forma fragmentada. Era hora de analisar o julgamento como um todo de forma minuciosa”, explicaram Green e a produtora executiva Fiona Stourton .
David Herman (Cirurgião do Mal) atua como showrunner, enquanto Green, Stourton e o ex-presidente da ABC News, James Goldston, assinam a produção executiva .
As acusações: do caso Chandler ao julgamento de 2005
O documentário também deve abordar o histórico de acusações contra Jackson, que começou em 1993, quando o jovem Jordan Chandler, de 13 anos, o denunciou por abuso sexual. Na época, o caso foi encerrado após um acordo civil estimado entre US$ 15 e 25 milhões, sem que houvesse condenação criminal .
Em 2003, novas alegações vieram à tona — desta vez envolvendo Gavin Arvizo, então com 13 anos, que conheceu Jackson após lutar contra um câncer. O caso resultou no indiciamento de 2005, que culminou na absolvição do cantor .
Após a morte de Jackson em 2009, novos processos civis foram abertos por Wade Robson e James Safechuck, que alegam ter sido abusados sexualmente pelo cantor quando crianças. Ambos os casos foram arquivados por questões técnicas, sem análise do mérito das acusações. Essas denúncias foram tema central do polêmico documentário Leaving Neverland (2019), da HBO .
A estreia da série ocorre em meio à repercussão da cinebiografia “Michael” , dirigida por Antoine Fuqua e estrelada por Jaafar Jackson, sobrinho do cantor. Embora o filme tenha sido um sucesso de bilheteria — arrecadando US$ 97 milhões no fim de semana de estreia —, a produção foi criticada por ignorar completamente as acusações de abuso sexual contra o astro .
O longa-metragem encerra sua narrativa em 1988, antes de qualquer acusação pública, e não aborda os episódios de 1993 e 2005 . Uma versão anterior do roteiro incluía o caso Chandler como terceiro ato, mas cláusulas do acordo judicial impediram a representação do acusador em filme, forçando refilmagens de última hora .
