Um novo passo para a valorização da memória afro-brasileira será dado em 2026 com o lançamento do edital Rede Memória Viva, que aconteceu durante o Festival Feira Preta, no Rio. A iniciativa vai identificar, conectar e fortalecer territórios que preservam a herança africana em diferentes regiões do país, ampliando a experiência desenvolvida na Pequena África carioca. Na primeira etapa, quatro territórios serão selecionados para receber apoio e desenvolver projetos definidos pelas próprias comunidades.
O edital faz parte das ações do Consórcio Viva Pequena África, composto pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), pela Diáspora.Black e pela Feira Preta, com apoio do BNDES.
Além de integrar a rede, os territórios selecionados terão acesso a capacitações voltadas ao desenvolvimento do afroturismo e ao fortalecimento institucional de organizações locais. A iniciativa também irá mapear experiências de preservação da memória africana em diferentes estados brasileiros, identificando espaços de resistência, patrimônios culturais e organizações comunitárias que mantêm viva a história da população negra.
Segundo Marcos Motta, assessor técnico da presidência do BNDES, a proposta parte da escuta dos próprios territórios. “São as comunidades e os territórios que vão apontar o que desejam fortalecer e preservar”, destacou.
Durante a apresentação da iniciativa, os organizadores destacaram que toda cidade brasileira guarda marcas da presença africana e que muitos desses territórios ainda permanecem invisibilizados. A expectativa é que a Rede Memória Viva contribua para dar visibilidade a essas histórias e fortalecer projetos já desenvolvidos pelas comunidades locais.
Para Antonio Pita, da Diaspora.Black, a iniciativa busca estimular uma articulação nacional entre territórios que preservam a memória afro-brasileira e ampliar os investimentos destinados a essas experiências.
A fundadora da Feira Preta, Adriana Barbosa, ressaltou a importância de reconhecer a dimensão econômica desses projetos.
“A gente pode entregar a nossa excelência, mas a nossa excelência custa. É preciso que haja muito investimento e a gente precisa falar que investimentos em projetos negros custam milhões”, ressaltou sobre a importância de reconhecer a dimensão econômica.
O encontro contou com a mediação de Jorge Freire, superintendente de educação e territórios do Instituto Moreira Salles e com Ele Semog, presidente do CEAP.
