O que pode acontecer quando uma criança decide, simplesmente, vestir aquilo que deseja? VESTIDO DE MENINO – O dia V, peça escrita por Ronaldo Serruya e dirigida por Pedro Stempniewski, acompanha Vesti, um menino com um desejo que parece pequeno, mas que precisa da ajuda de outras crianças amigas – Fut, Croqui e Fio – para enfrentar o olhar dos colegas da escola e dos adultos. A partir desse gesto, o espetáculo constrói uma narrativa sensível sobre pertencimento, amizade e o direito de experimentar o mundo com o próprio corpo. A peça, voltada ao público de 8 a 12 anos e suas famílias, estreia dia 06 de junho, com temporada gratuita até 26 de julho, no Centro Cultural do iBT – Instituto Brasileiro de Teatro.
Na peça, quatro crianças, que se reconhecem na diferença, usam o espaço de uma banca de revistas – espaço fluido e de passagem – como lugar de encontro, invenção e força coletiva. O espetáculo nasceu de uma inquietação nítida para os criadores: abordar temas considerados “delicados” para as infâncias sem transformá-los em tese, reduções didáticas ou confrontos pedagógicos. “O desafio era falar sem falar”, afirma Serruya. “Existe uma ideia de que determinados assuntos são proibidos para as crianças ou que há uma idade certa para tratar deles. Isso não envolve só gênero, mas morte e outras questões. Quisemos construir uma dramaturgia que afirmasse a diferença, não como diversidade domesticada, mas como diferença mesmo, como algo que existe e precisa ser cuidado, porque diferença é riqueza.”, completa.

O espetáculo investiga as formas como aprendemos a ocupar o mundo. Desde cedo, meninos e meninas recebem mapas invisíveis que delimitam gestos, interesses, comportamentos e desejos. A encenação acompanha o ponto de vista das crianças, o que parece “estranho” para o adulto revela-se experiência legítima e humana para o quarteto.
Na dramaturgia, cada personagem tem uma habilidade para ajudar no desejo de Vesti: o desenho, a costura, a estratégia e a reinvenção de objetos e comportamentos cotidianos. E a história é contada de forma cíclica: começa com um prólogo em que as próprias crianças anunciam que vão contar uma história sobre um sonho. A partir daí, retorna no tempo para mostrar como esse grupo se formou, como ganhou nome e como encontrou, em uma banca de revistas, um território de invenção.
“A banca é um lugar de passagem, um não-lugar, um espaço que gera situações que acontecem e se transformam. A escola não é esse lugar. A casa também não. A banca é pública e privada ao mesmo tempo, é um espaço onde muitos universos e possibilidades coexistem”, diz Pedro Stempniewski. Nessa referência se coloca o ambiente urbano em que a peça acontece ligando casa e rua, assim a estética vai se fazendo através do universo das revistas, da moda e da cultura urbana. O voguing e a cultura ballroom são fortes referências para composição de movimentos e musical, enfatizando através da dança e da celebração coletiva, a potência do encontro desse bonde de crianças.
Ao longo da narrativa – Vesti, Fut, Croqui e Fio – se deparam com expectativas familiares, normas escolares e convenções culturais que surgem, mas o foco de VESTIDO DE MENINO – O dia V está na capacidade de as crianças criarem linguagens próprias e reinventarem os limites impostos. Nesse sentido, o espetáculo dialoga com debates sobre performatividade de gênero e masculinidades, mas o faz sem didatismo ou panfletarismo.
SERVIÇO:
Temporada: De 06/06 a 26/07, sexta a domingo, às 16h.
Acessibilidade em Libras: aos sábados e domingos, de 27 de junho a 26 de julho
Atenção: nos dias 10, 11 e 12 de julho não haverá apresentação.
Entrada gratuita.
Lugares limitados.
Local: Centro Cultural do iBT – Instituto Brasileiro de Teatro – Sala Cênica – 10º andar.
Av. Brigadeiro Luís Antônio, 277, Bela Vista – SP
Ingressos: gratuitos (distribuídos 1h antes na bilheteria do teatro)
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: A partir de 08 anos
Capacidade: 50 lugares
