O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, de 34 anos, foi escolhido pela Uefa para apitar a Supercopa Europeia entre PSG e Aston Villa, marcada para 12 de agosto em Salzburgo, na Áustria. O anúncio, feito nesta quinta-feira (11), acontece menos de um mês após o juiz ter sido impedido de entrar nos Estados Unidos para atuar na Copa do Mundo de 2026.
Em comunicado, a entidade europeia explicou que a nomeação de Artan foi possível graças a uma parceria com a Confederação Africana de Futebol (CAF). A decisão foi tomada rapidamente após a polêmica envolvendo a barreira imposta pelos EUA ao árbitro.
“Omar Artan é um árbitro excelente, jovem, mas já experiente, que demonstrou sua qualidade no mais alto nível das competições da CAF. O futebol foi feito para conectar pessoas, e a Uefa quer demonstrar seu respeito a Omar e às suas extraordinárias habilidades na arbitragem, que lhe renderam uma nomeação tão prestigiosa”, declarou Aleksander Ceferin, presidente da Uefa.
Artan integra o quadro internacional da Fifa desde 2018 e foi eleito o melhor árbitro da África em 2025. Há menos de um mês, ele comandou a final da Liga dos Campeões da África entre Mamelodi Sundowns e AS FAR — currículo que, para muitos, já o credenciava para brilhar na Copa do Mundo.
O presidente da CAF, Patrice Motsepe, também celebrou a escalação: “Omar Artan deixou a Somália e todo o continente africano extremamente orgulhosos. Sua nomeação como Melhor Árbitro da CAF em 2025 e sua escalação para a Copa do Mundo de 2026 são uma prova de suas habilidades de classe mundial.”
O episódio que gerou revolta internacional
A trajetória de Artan rumo à Copa do Mundo foi interrompida de forma abrupta quando ele desembarcou no Aeroporto Internacional de Miami, no início de junho, portando visto e passaporte diplomático válidos. Em vez de ser recebido para treinar, foi submetido a 11 horas de interrogatório, levado a uma cela de detenção e, em seguida, deportado para Istambul.
Autoridades do governo americano alegaram, sem apresentar provas ou detalhamentos públicos, que o somali teria “associação com suspeitos de organizações terroristas”. A justificativa vaga foi amplamente criticada por entidades de direitos humanos e federações de futebol ao redor do mundo.
Ao desembarcar em Mogadíscio, Artan foi recebido por milhares de compatriotas em uma verdadeira apoteose. “Tudo está predestinado. Prometo a vocês que estarei apitando na próxima Copa do Mundo”, declarou à época, emocionado.
Agora, a Uefa lhe oferece não apenas um palco de volta, mas um dos mais prestigiados do calendário europeu. A Supercopa colocará frente a frente PSG, atual campeão da Champions League, e Aston Villa, vencedor da Europa League, no dia 12 de agosto, no Stadion Salzburg, na Áustria.
