Conhecida pela postura firme de denúncia às injustiças sociais e uma atitude combativa no palco, a rapper Sarah Guedes se envolveu com o hip hop não por raiva ou inconformidade, mas por amor. “Tudo o que me fez apaixonar pelo rap foi o amor, o sentimento de compaixão, de liberdade e leveza”, diz a artista. É a partir dessa constatação que o álbum de estreia da premiada cantora mineira, “Feita de Amor” (Xifuta Records), chegou às plataformas digitais.
Em oito músicas, Sarah Guedes destaca uma rede de afetos que ajudaram a constituir sua trajetória. “Feita de Amor” fala sobretudo da força e do impacto das relações humanas dentro do hip hop. “Eu queria que o álbum remetesse mais sobre afetos do que sobre ânsias e conquistas individuais. É um disco feito de vivências e laços que nos unem. Sobre o recorte da minha parte mais afetuosa e sensível”, justifica Sarah.
Todas as faixas do disco foram escritas ao longo da última década, muitas delas como poemas avulsos, retrabalhados e lapidados durante as gravações, que começaram em 2023 – mesmo ano em que a artista conquistou o “Prêmio Multishow de Música Brasileira”, na categoria “Melhor Hip Hop”, com um feat icônico junto a Djonga na faixa “Penumbra”. A música do disco “Dono do Lugar”, do rapper mineiro, ultrapassa 40 milhões de audições nas plataformas de streaming.
Histórias e sonoridades
Com produção de Abu e Cizco, “Feita de Amor” foi produzido no Estúdio Xifuta Records, em Belo Horizonte, com gravação, mixagem e masterização, realizadas no Estúdio Luiz Brasil, em Contagem, na região metropolitana da capital mineira. A sonoridade do disco é doce e suave, a partir de referências ecléticas do boom bap, house, afrobeats, e love songs. Mas nada de inspirações diretas em artistas específicos.
“Muitas das músicas não tinham referência, gostei do baixo em algum som, de uma melodia em outro, fomos descobrindo coisas. O Abu me entende muito bem. Não queria que existisse o lance da referência direta, parecido com artista tal, e o Abu captou isso. Então, foi possível construir um disco original. Queria simplesmente mostrar a Sarah Guedes. E que as pessoas ouvissem e pensassem: isso é a Sarah”, atesta a artista.
Em “Eu Juro”, a cantora e violinista Nath Rodrigues divide os vocais com Sarah Guedes, mas também insere solos de violino impactantes no arranjo do afrobeats dançante. Já em “Ufa”, Juventino Dias fica livre para criar um longo solo de trompete nostálgico, que cai como uma luva para a letra que agradece boa parte das relações da artista mineira.
Em “Chama”, feat com o parceiro de longa data Djonga, o lado mais romântico de Sarah Guedes brilha em rimas bem encaixadas com as frases do rapper e amigo: “Bora pichar a cidade toda com juras de amor eterno / coisa pra esconder dos filhos e contar para os netos”. “Neguinho da cor de bombom, eu fecho contigo um tantão / Deixa que eu vou pilotar, eu tô indo te buscar”.
