Fatmata Sessay, de 56 anos, natural de Serra Leoa, continua vivendo no Aeroporto Internacional de Belém após ter sua viagem para o Panamá remarcada para o dia 15 de agosto. A passagem estava inicialmente programada para esta segunda-feira (22), mas precisou ser adiada devido a pendências documentais, como carteira de vacinação contra febre amarela, visto e comprovante de renda. Segundo o Ministério Público do Pará, a remarcação ocorreu por opção própria da migrante, que segue instalada no terminal aeroportuário enquanto aguarda a regularização dos documentos, e o órgão está intermediando junto a instituições públicas e à sociedade a garantia de seus direitos.
O Ministério Público Federal apresentou pedido urgente à Justiça Federal na última sexta-feira (21) e obteve decisão favorável no mesmo dia, determinando assistência consular à migrante e a intimação de órgãos para o cumprimento da medida, mas, segundo informações do sistema de Processo Judicial Eletrônico, os órgãos intimados ainda não se manifestaram. O Governo do Pará informou que, por se tratar de assunto fora da competência precípua do Itamaraty, o caso foi encaminhado ao Departamento de Migrações do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, com pedido de acionamento dos canais de proteção ao migrante estrangeiro para a assistência cabível.

Fatmata está no Aeroporto de Belém há cerca de seis meses. A história começou no fim de 2025, quando ela saiu de São Paulo com destino ao Panamá, onde vivem parentes, mas teve a viagem interrompida após problemas com o passaporte. Sem dinheiro para comprar outra passagem, passou a dormir em áreas do terminal e a depender da ajuda de pessoas que circulavam pelo local. Durante o dia, consegue o básico em uma instituição de assistência.
