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A Branquitude que não quer ser branca

Recentemente tenho notado (algo que já acontece há muito tempo)

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Recentemente tenho notado (algo que já acontece há muito tempo), que cada vez mais algumas pessoas brancas tentam se “afastar” da branquitude utilizando-se de elementos culturais negros e indígenas.

Afastamento que não é real porque sabemos que pessoas brancas não deixariam seus privilégios sociais de lado.

Algumas destas, até entendem que usar turbante, tranças nagô, fariam delas mal vistas socialmente, fadada a serem acusadas de apropriação cultural. Note que não estou falando somente de se apropriar de questões culturais, mas também da necessidade de pessoas brancas chancelarem que não são racistas e para isso frequentarem religiões de matriz africana, jogarem capoeira, comerem acarajé em lugares gourmetizados, como no bairro da Santa Cecília em São Paulo e, ainda outras, escutarem rappers da atualidade que criticam as próprias pessoas brancas que dizem achar “importante” tal crítica.

As caucasianas ditas “antirracistas”, sobretudo, as “esquerdistas”, estão no anseio de provarem que não são racistas e que não fazem parte do pacto da branquitude, mas por si só essas atitudes já são problemáticas e reforçam a concordância.

Como se dizer ”antirracista” e ir ao terreiro em que grande parte dos frequentadores são brancos e não questionar onde estão os pretos da casa que provavelmente iniciaram os trabalhos?
Como se dizer “antirracista” frequentando rituais dos povos originários no qual não tem indígenas na roda?

Como lê-se Bell hooks sem perceber que a escrita é direcionada para pessoas pretas, com suas experiências, vivências, contradições, que a palavra da escritora não atravessa o grupo socialmente privilegiado por inteiro e que a leitura feita pelas mesmas se limita a uma visão branca?

Nesse contexto, percebe-se que a branquitude em questão se envolvem em tudo que é de preto, mas compram de quem? Usam roupas de quais marcas? Gastam seu dinheiro com quem?

O pacto segue em curso e, reforço aqui, socialmente e dentro dos seus privilégios patriarcais a branquitude segue sendo, em sua maioria, racista, só que mal trajadas/ultraje de uma roupagem suja e arrogante de antirracistas.

Dessa forma, os brancos precisam antes de tudo entender e conviver bem com a memória que seus ancestrais causaram e que seu sobrenome de origem européia ainda está manchado de sangue.

Ademais, dispenso falas de que nós, pessoas pretas, permitimos mais uma vez a invasão do branco em nossas vidas, pois, quando fazemos isso automáticamente retiramos a responsabilidade que não nos cabe, e isentamos, outra vez, a branquitude e seus antecedentes de serem usurpadores.


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Última atualização em: 24 de novembro de 2025 às 17:31

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