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Carla Perez e as perfomances coloniais da branquitude no carnaval

Carla Perez e as perfomances coloniais da branquitude no carnaval

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Não é um “erro” ou “falta de informação”, é um ato performático de colonialidade religiosa que atualiza, em pleno 2026, a lógica da Casa Grande sobre a Senzala.

Uma mulher branca sobre o corpo de um homem negro, que a carrega para que ela possa “louvar ao Deus dela”.

Não é possível assistir a isso sem lembrar dos escravizados carregando suas sinhás em cadeirinhas ou redes; da coisificação do corpo negro como instrumento, nunca como sujeito; da hierarquia racial encenada em praça pública, mas agora chamada de “louvor” e “cultura”.

O corpo negro ali não é um parceiro de dança, não é um irmão de fé, é um meio de transporte para que a branquidade possa “elevar sua espiritualidade” enquanto o negro permanece rente ao chão, suportando o peso.

O simbolismo é tão grotesco que beira a paródia, mas é real, foi gravado, e circulou, e provavelmente foi defendido como “expressão de fé” como faz qualquer neopentecostal neste país tomado por essa vertente religiosa.

Salvador, a cidade com a maior população negra fora da África, epicentro da cultura e religiosidade de matriz africana no Brasil, terra do Ilê Aiyê, do Olodum, e temos de testemunhar a branca do É o Tchan “adorando” em cima de um ombro preto. Será que em cima do homem preto ela se sente mais perto de seu deus branco?

Até quando serviremos para servir à experiência branca, seja carregando o corpo, seja emprestando o terreiro, seja fornecendo a estética, mas nunca, jamais, dono da própria narrativa?

É foda te de aguentar essa performatividade branca, agora com roupagem evangélica, o que torna tudo ainda mais pavoroso e irritante.

Mas isso também levanta a bola sobre como o carnaval tem se transformado. O negro tem virado representatividade decorativa. Quem protagoniza? Quem decide? Quem se beneficia? Onde vai parar o dinheiro?

A mulher branca louvando seu deus branco sobre o homem negro num local onde os orixás são tão representativos.

Carla Perez e tantos outros representam a conquista cultural que sugou da música negra: usa, performa, consome, esvazia de sentido. É a Casa Grande se servindo da Senzala, com a diferença de que agora tem câmera, tem like e tem público achando lindo.

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Última atualização em: 19 de fevereiro de 2026 às 13:30

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