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Memes racistas perpetuam a ideia do branco como belo e limpo e do negro como sujo e feio

Memes racistas perpetuam a ideia do branco como belo e limpo e do negro como sujo e feio

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Provavelmente, em algum momento, você já viu, riu ou compartilhou um meme que contrapunha uma pessoa branca e uma pessoa preta. Invariavelmente, a comparação atribui adjetivos positivos à pessoa branca e ofensas às características físicas negras.

Centenas dessas imagens têm viralizado nas redes há anos, ridicularizando a cor da pele, a boca, os cabelos crespos de pessoas pretas e enaltecendo pessoas brancas.

Em um dos memes ao lado — feito por uma loja —, vê-se o humorista Jim Carrey com uma foto sem efeito e, em seguida, ele com traços negroides, dizendo que o ator voltou do estoque e está sujo. Quando há comparações de cabelo, em geral, usam-se imagens de crianças negras que acabaram de acordar ou estão em situação de lazer e contrapõem-nas a mulheres brancas maquiadas e penteadas.

Esse tipo de meme parece inofensivo, mas está bem longe de ser. É usado para destruir a autoestima de crianças e jovens que já enfrentam piadas racistas no convívio social.

A ideia de haver uma raça superior à outra em algum aspecto é antiga e foi o que alimentou a ascensão nazista. Já se sabe que muitos filtros usados nas redes sociais clareiam a pele, assim como maquiagens são usadas para clarear peles negras em ensaios. Juntam-se a esses fatores imagens que tiram sarro do fenótipo natural da pessoa, e temos um cenário de gerações de pretos lidando com racismo deliberado em forma de “humor”, achando que somente o que é branco é bonito e bom.

Os memes racistas são a versão moderna da piada da escola. Parecem apenas formas inocentes de arrancar risos, mas risos de quem? É a continuação do projeto de racismo recreativo, em que as pessoas pretas têm como função entreter a plateia como animais de circo.

Quando algo se transforma em piada, todo preconceito parece mais leve, e o fato de sempre haver alguém rindo dá a impressão de que vale a pena seguir.

Se há insurgência contra esse tipo de “humor”, a vítima é apontada como vitimista, como se fosse obrigação das pessoas negras aceitarem o lugar de subalternidade, de palhaços tristes servindo de motivo para alegrar o Senhor de Engenho branco.

Racismo recreativo é a arma perfeita. Basta o babaca dizer que não teve intenção de ofender.

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Última atualização em: 1 de janeiro de 2026 às 15:31

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