Um policial militar foi detido após ser filmado agredindo e ameaçando de morte um adolescente de 16 anos em uma loja de autopeças em Catalão, na região sudeste de Goiás. As imagens, registradas por câmeras de segurança e divulgadas pela TV Anhanguera, mostram cenas de violência brutal e covardia: tapas no rosto, o garoto jogado ao chão, uma arma apontada contra ele e ameaças explícitas de execução.
“Por que você estava encarando a polícia? […] Vou te matar aqui agora. Vontade de dar um tiro agora, bem na sua cara. Você tem que morrer”, diz o policial enquanto mantém o adolescente imobilizado no chão. O jovem, que trabalha como aprendiz no local, repete em meio às agressões: “Eu só vim trabalhar, senhor.”
A conduta do agente — que justificou a violência alegando que o garoto “estava encarando a polícia” — não tem qualquer respaldo legal ou moral. Trata-se de um ato fascista, imundo, que expõe a face mais nojenta de uma corporação que, sob o comando do governador Ronaldo Caiado (União), atua com crescente truculência e impunidade.
“Só vim trabalhar”: Porco fardado espanca aprendiz de 16 anos dentro de loja. Ele foi detido após câmeras de segurança registrarem agressões e ameaças contra um adolescente de 16 anos dentro de uma loja de autopeças em Catalão, no sudeste de Goiás. pic.twitter.com/mXNL4NRfOr
— Pretessências (@pretessencias) July 17, 2026
Caiado e a recusa às câmeras: “Não vou botar câmera em policial meu”
A ausência de câmeras corporais nos uniformes da PM goiana não é um acaso, mas uma decisão política explícita do governador. Em reunião com o presidente Lula e demais governadores para discutir a PEC da Segurança Pública, Caiado foi enfático:
“Sou governador de estado, fui eleito pelo meu povo. Não vou botar câmera em policial meu de maneira alguma. Não existe a hipótese de eu colocar câmera em policial meu” .
A declaração, registrada pela CNN Brasil, revela a prioridade do governo: proteger agentes, não a população. Sem câmeras, não há registro independente das abordagens, não há prova contra a palavra do policial e não há responsabilização efetiva. O caso de Catalão — registrado apenas por câmeras da loja — é a prova viva de que a transparência salva vidas. E a falta dela, como em Goiás, mata.
Em nota, a Polícia Militar de Goiás afirmou que “não compactua com qualquer desvio de conduta” e que adotou “providências legais, administrativas e disciplinares” . Mas a realidade contradiz o discurso.
O nome do agente agressor não foi divulgado pela corporação . A identidade do policial — que cometeu agressão, ameaça de morte e tentativa de homicídio contra um adolescente indefeso — segue sob sigilo. Enquanto isso, a vítima, um jovem aprendiz de 16 anos, teve seu rosto estampado, sua dor exposta e seu nome repetido nas redes. O mesmo padrão de proteção a agentes violentos já foi registrado em outras ocorrências em Goiás, como a agressão a um homem já imobilizado em Itarumã .
A corporação, que se diz “rigorosa”, age na prática como escudo de seus agentes.
A mãe do garoto, em entrevista à TV Anhanguera, descreveu o estado do filho: costela machucada, rosto sangrando, ferimentos múltiplos . O jovem ficou cerca de uma hora deitado no chão da loja após as agressões, até ser socorrido por uma colega de trabalho .
“Ele simplesmente chegou e bateu no meu filho por nada”, afirmou a mãe. “Não consegui nem ver todo o vídeo porque eu fico revoltada” .
O caso de Catalão não é um “desvio de conduta” isolado. É a face de um sistema que protege bandidos de farda e abandona jovens negros e periféricos à mercê do terror.
