As declarações do novo presidente da FecomercioSP, Ivo Dall’Acqua Júnior, escancaram a cara suja da elite empresarial brasileira. Em suas falas, ele ataca a redução da jornada de trabalho, chamando a medida de “populismo explícito”, e culpa os programas de transferência de renda — como o Bolsa Família — pela informalidade no mercado. Na visão desses patrões, o problema não é a exploração, mas o trabalhador ter acesso a qualquer tipo de dignidade.
Esses empresários, em sua maioria brancos, ricos e donos de grandes fortunas, querem que o trabalhador continue se matando em jornadas exaustivas, enquanto eles mesmos acumulam isenções fiscais e benefícios concedidos pelo Estado. Acusam o Bolsa Família de gerar acomodação, mas esquecem de mencionar os bilhões em subsídios e perdões de dívidas que garantem a eles lucros astronômicos sem qualquer contrapartida social.
Dall’Acqua ainda tem a audácia de dizer que o Brasil remunera “mais o tempo livre do que o tempo trabalhado”. Ora, quem nunca trabalhou na vida são esses parasitas do capital, que vivem de rendas, heranças e privilégios. Enquanto isso, o trabalhador brasileiro segue submetido a condições análogas à escravidão moderna, sustentando com seu suor o luxo de uma elite que nunca pisou num chão de fábrica.
Enquanto o trabalhador morre no transporte público, eles viajam de jatinho. Enquanto a classe trabalhadora se endivida, eles recebem vantagens do Estado. Chega de fingir que o problema é o pobre ter direito a descansar. O problema é esse bando de privilegiados que quer transformar a vida do trabalhador num inferno para garantir que seus iates continuem navegando.
