Publicidade

Trinta anos e ainda esperando: a impunidade dos vermes fardados que assassinaram o pequeno Maicon e seguem anônimos

Trinta anos e ainda esperando: a impunidade dos vermes fardados que assassinaram o pequeno Maicon e seguem anônimos

Publicidade

Maicon de Souza Silva tinha dois anos de idade. Brincava na frente de casa, na Favela de Acari, quando um tiro disparado por um policial militar atingiu sua cabeça . Em vez de justiça, o que sua família recebeu foi um registro imundo chamado “auto de resistência”, um termo sujo que a polícia usava para, com a desfaçatez que lhe é característica, jogar a culpa na própria vítima morta, como se um bebê de dois anos fosse uma ameaça, como se a criança que brincava fosse a autora dos disparos .

O alvo da Operação Miragem em 1996 foi o 9º Batalhão da PM . Foram esses vermes fardados que abriram fogo contra uma criança. Maicon foi assassinado e Renato da Silva Paixão, de seis anos, perdeu uma perna . Nenhum desses assassinos foi levado à Justiça. Pelo contrário: enquanto a família enterrava o filho, os envolvidos receberam bônus da corporação .

Durante três décadas, o pai José Luiz Faria da Silva fez protestos, vigílias e mobilizações . Exigiu o óbvio: que o nome do filho fosse limpo. A investigação foi arquivada em 2019 por falta de vontade de um sistema que sempre protege seus algozes .

José Luiz Faria da Silva ao lado da estátua em homenagem ao filho

Só agora, depois de recomendação da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Ministério Público desarquivou o caso, e o Estado brasileiro pediu desculpas . Mas quem vai punir os assassinos de Maicon? Quem vai dizer os nomes desses soldados que receberam bônus por matar uma criança? A ministra Janine Mello afirmou que “nenhuma família deveria esperar décadas por justiça” . Concordo. Nenhuma família deveria esperar. Mas, acima de tudo, nenhum policial deveria matar uma criança impunemente e ser premiado por isso.

Enquanto a investigação segue com prazo de um ano, os assassinos de Maicon seguem anônimos e livres,protegidos pela farda e pelo código de silêncio que transforma a Polícia Militar numa máquina de matar periféricos. Que esses soldados, onde quer que estejam, tenham o nome e a farda marcados para sempre pela covardia que cometeram.

Publicidade

Última atualização em: 2 de julho de 2026 às 16:36

Siga-nos no

Google News

Compartilhe :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp

Deixe um comentário

Área para Anúncios

Seus anúncios aqui (área 365 x 300)

Publicidade

Matérias Relacionadas

Se inscreva na nossa Newsletter 🔥

Receba semanalmente no seu e-mail as notícias e destaques que estão em alta no nosso portal

Categorias

Publicidade

Links Patrocinados